sábado, 16 de maio de 2009

FAÇO-ME TUDO PARA TODOS, PARA DEIXAR O MUNDO UM POUCO MELHOR QUE O ENCONTREI

No Mundo em que vivemos cada vez mais se nutre o sentimento da inexistência de Paz... e cada vez mais percebo por que motivo muitas pessoas deixam de acreditar na existência de um Deus Poderoso e Fiel, por que deixam de frequentar a igreja e os seus rituais.

Esta semana falando com um colega de curso e questionando a sua crença, se era ou não, a respostas foi a seguinte: Sou contra muitas coisas, sou contra as pessoas que lêem a Bíblia sem pensarem no que lêem, mas acredito que Deus existe, só que não professo nenhuma religião pois o que as pessoas fazem é tudo menos seguir o que Jesus queria. Questionei esta pessoa por ser uma pessoa que muito admiro, mas que muitos, diriam que era Ateu pela forma que veste e fala.

Leva-me a questionar a razão de o ser. Como seria possível chegar a estas pessoas… e aí, lembrei-me da forma como me converti. Tudo isto, para as pessoas que me conhecem mal talvez questionem: como te converteste? Sim, como me converti!!! Para mim o Aposto São Paulo é o meu maior Ídolo, para muitos talvez cometa uma heresia, mas é sem dúvida muito mais que Jesus Cristo. O quê?!? Sim, por que Cristo para mim não é um Ídolo mas sim muito mais que isso, para mim, Cristo é uma referencia de como havemos de viver. Enquanto um Ídolo de um momento para outro pode deixar de o ser, Cristo é uma referência de vida porque é Ele que eu tento seguir mesmo sabendo ser impossível....

Para ser mais explícito, na música há ídolos e referências musicais, os ídolos podem morrer ou acabar a carreira, mas as referências musicais são imortais mesmo que deixem de tocar ou venham a falecer. Um músico (como eu) terá sempre uma referência para tentar igualar mas que naturalmente será sempre impossível… não uma impossibilidade física e técnica, mas uma impossibilidade espiritual, pois nunca deixa de ser referencia mesmo que venhamos a ser melhores. Igualmente, como na música, é como Jesus Cristo… temos que ter Cristo como referência de Vida mesmo que tenhamos a certeza que a esta referência dificilmente igualaremos.

São Paulo para mim é um ídolo, pois como ele, por muito tempo duvidei da presença e existência de um Deus Vivo e Ressuscitado, ou melhor, acreditei sempre na não existência de Deus. Até ao dia que conhecia a minha Associação KERYGMA (www.kerygma.pt) que hoje sinto o orgulho de fazer parte. Faz sete anos – em Dezembro de 2009 – que me converti e desde aí tento fazer o que São Paulo disse: “Fiz-me tudo para todos…” Sim!!! Para todos!!! É difícil?!? Eu sei!!! Mas não impossível. Só uma pessoa não pecou mas duvidou: Jesus Cristo na hora da sua morte duvidou do Amor de Deus – Meu Deus, Meu Deus porque me Abandonas-te. Se até Ele duvidou porque não podemos nós duvidar. Além disso Deus fez-nos livres para o fazer. Mas acreditem que mais cedo ou mais tarde conseguiram ter a certeza da sua existência… Ele tratará de nos mostrar a sua presença nas nossas vidas.

Tudo isto por que existem muitas pessoas que acreditam mas não sentem a vontade de o professar. Mas porquê?

Muito simples, Jesus morreu por nós, deu a Sua vida pela paz no mundo e o que acontece é o inverso; pessoas que professam: “Fiz-me tudo para todos…” quando estes são os primeiros a não compreenderem o significado desta poderosa frase do Aposto São Paulo. Pessoas que vivem de excessões e que fazem tudo para se glorificarem. Pessoas que usam padrinhos para atingirem a fama, ou nem olham aos meios para atingirem os fins. Vidas fúteis e acções ainda mais insensatas. Com isto, quem poderá acreditar em um Deus Forte e Poderoso que tudo faz para o nosso Bem!!! Se existe pessoas que quando evangelizam, evangelizam o que está escrito mas sem o mínimo sentimento no que estão a dizer ou fazer. O que fazer para melhorar esta questão? Muito simples, fazermos um exame de consciência e questionarmos se de facto fazemos tudo para SER TUDO PARA TODOS!!! Outra frase que recordo é a de Baden Powell (B.P.): Deixar o mundo um pouco melhor que o encontrei.

Que este lema seja o de todos: FAÇO-ME TUDO PARA TODOS, PARA DEIXAR O MUNDO UM POUCO MELHOR QUE O ENCONTREI. E sempre que fizermos alguma coisa tenhamos o cuidado de parar para pensar: Será que estou a ser como Saulo de Tarso, ou como São Paulo. Será que estou a perseguir, ou a ser perseguido.

Uma coisa é certa, até ao dia em que pessoas como sacerdotes, párocos, entre outros… não percebam que o que fazem é: perseguir como Saulo de Tarso; e não fazerem tudo para todos, como São Paulo. Até esse dia as pessoas terão dificuldades em terem fé e acreditarem no que se diz. É que se são eles a nossa Bandeira Estandarte da Evangelização são também eles os primeiros a pecar.

VALE A PENA ACREDITAR EM DEUS?!?!

Autor: Cláudio Almeida


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fátima: «Milagre do Sol» chega ao Cinema


A não perder....

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2009

Papa lembra prática do jejum, afirmando que, «nos nossos dias» parece «ter perdido um pouco do seu valor espiritual»

“Jesus, após ter jejuado durante 40 dias e 40 noites, por fim, teve fome” (Mt 4, 2)

No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal).

Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.

Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O "não comas" e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98).

Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção.

O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.

No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4).

O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.

Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus.

O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).

Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus.

Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I).

A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).

A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: L 40, 708).

Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.

Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17).

Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente.

Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola.

Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.

De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos.

Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».

Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21).

A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo.

Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma.

Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.

BENEDICTUS PP. XV

Documentos | Bento XVI| 23/02/2009 | 18:01 | 9499 Caracteres | 1991 | Bento XVI

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=68974&seccaoid=9&tipoid=217

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

GEN Verde - La coperta del mondo




No Mundo em que vivemos, cada vez mais se nutre, o sentimento da inexistência de Paz... Desde 1966 existe uma banda que já percorreu o Mundo com tournées pela Europa, Ásia e América. Constituída por vinte e quatro mulheres de catorze nações, esta banda, GEN VERDE, tem um compromisso: dar um testemunho de paz. Com a convicção de que não pararão até que expluda com a música e a dança, um dom para todos: a solidariedade. Podemos resumir o seu concerto em: Cores, Símbolos, Emoções, Poesia e Imagens que ocorrem, com base em um hino à aventura humana iluminada pela luz do infinito. Tem como tema principal, o amor que oprime com a luz, apenas, como o esplendor das estrelas… O que está envolto na escuridão do ódio e da indiferença... abrindo caminho ao diálogo com todas as formas de encontrar a paz e a solidariedade, e apreciar o que nos une. E assim se abre o caminho à sofrida certeza: Cada semente plantada, ao morrer dá vida a uma nova planta. E no Inverno do nosso planeta, atirar a flor de uma humanidade renovada.

Uma lição de vida!!!

Ora vivam!

Fraternidade e gratuidade são, no meu entender, dois dos valores mais urgentes para o nosso tempo. Por outras palavras – precisamos de conviver mais por amizade, e encontrarmo-nos menos por interesse.

Mais uma lição de vida, em que o CHC também colaborou. Paulo Azevedo é um jovem bem perto de nós, que nos pode dizer algo sobre os valores humanos.

Com amizade, Padre Pedro.


A 29 de Outubro de 1981 nascia sem aviso prévio e após uma gravidez de oito meses, Paulo Azevedo, um bebé diferente, sem mãos nem pernas, a quem os médicos não auguravam nada de bom. Natural da Redinha, uma pequena povoação do concelho de Pombal, ainda antes de fazer um ano de idade, Paulo e a mãe, na altura uma adolescente, mudaram-se para Alcoitão, onde ficou internado cerca de dois anos até começar a ser acompanhado em Coimbra. Por volta dos três anos de idade colocaram-lhe as primeiras próteses de pernas, sendo que nunca se adaptou às próteses de mãos. Antes de completar cinco anos de idade deu o seu primeiro passo sem qualquer apoio. No Natal de 1993 o avô materno ofereceu-lhe uma moto 4 amarela e a partir daí a Redinha e as redondezas deixaram de ter segredos para ele. Nessa altura Paulo Azevedo fazia já parte do Núcleo de Teatro do colégio que frequentava e começava secretamente a sonhar com uma carreira de actor. Depois de terminar o 12º ano ingressou no curso de jornalismo, na Universidade de Coimbra, que frequentou até ao terceiro ano, altura em que decidiu começar a trabalhar para poder financiar o curso de representação com que continuava a sonhar. Quase dois anos depois, num programa de televisão para o qual tinha sido convidado na sequência de uma reportagem da $portTV, falou publicamente do seu desejo de ser actor e o actor Tozé Martinho desafiou-o a fazer o curso de representação que leccionava, uma proposta que não hesitou em aceitar. Seguiu-se o convite para a reportagem "Uma Vida Normal", emitida pela SIC e que recentemente deu lugar a um livro com o mesmo título, e o convite de Nuno Santos e de Virgílio Castelo para integrar o elenco da telenovela "Podia Acabar o Mundo", actualmente em exibição na estação de Carnaxide, onde Paulo Azevedo interpreta o papel de Raimundo, um jovem advogado.


Aos 28 anos de idade Paulo Azevedo é um exemplo de força e de determinação.

DS – Depois da SlC ter emitido a reportagem “Uma Vida Normal” o que é que mudou na sua vida?

PA – A reportagem da Sofia Arêde mudou a minha vida radicalmente. Nessa altura, ao contrário do que aconteceu agora com o livro, não hesitei, porque sempre deixei bem claro que não queria passar uma imagem de “coitadinho”.

DS – Lembra-se da primeira vez que sonhou que queria ser actor?

PA – Na escola primária adorava participar nos “teatrinhos” que se faziam nas festas de Natal e de final do ano e quando entrei no liceu formámos um grupo de teatro. Aquilo que foi a partir daí que o “bichinho” foi crescendo. Sempre tive vontade de perseguir este sonho, mas nunca arrisquei, porque tinha medo de ser vitima de preconceito. Felizmente isso nunca aconteceu.

DS – Nem mesmo na escola?

PA – Sempre tive necessidade de pertencer ao grupo dos miúdos mais famosos da escola, porque pertencendo a esse grupo sabia que ninguém me excluía e que todos me protegiam. Aquilo que eu queria não era dar nas vistas, mas sim sentir-me integrado e protegido.

DS – Preocupa-o o que se seguirá à telenovela "Podia Acabar o Mundo" em exibição na SIC?

PA – Claro. Tenho medo que quando deixar de ser novidade deixe de ter trabalho. Ainda há pouco tempo partilhava isso com o Diogo Morgado e com o Pauto Rosa, o nosso realizador de exteriores. Dizia-lhes que tinha noção de que tinha de ter papéis especficos para mim e ambos ficaram surpreendidos. O Paulo Rosa disse-me que os papéis específicos só existem aos olhos do realizador ou do encenador. Nesta telenovela por exemplo, vou fazer uma cena em que tenho um acidente de mota e não tenho qualquer duplo. Vou fazê-la sózinho, porque sinto que a consigo fazer. Felizmente o Raimundo não é uma personagem gratuita em que a minha deficiência é explorada. Nesse aspecto a SIC tem-me protegido bastante, porque não está a esgotar a minha imagem. Sei que ainda não sou verdadeiramente actor, mas vou trabalhando para o ser.

DS – Se ser actor era um sonho de criança porque é que ingressou no jornalismo?

PA – Acima de tudo para fazer a vontade da minha familia, contudo, logo no final do primeiro ano percebi que não era aquilo que queria. Mesmo assim mantive-me no curso até ao terceiro ano, mas a determinada altura senti que tinha de tomar uma decisão. porque os anos estavam a passar e se queria arriscar tinha de ser o quanto antes. Por isso desisti do curso e fui trabalhar para tentar juntar o dinheiro necessário para vir para Lisboa fazer o curso de representação. Quando reuni as condições necessárias deixei tudo, vim para Lisboa e arrisquei mesmo sem nunca ninguém me ter dado esperanças de arranjar trabalho, mas o curso eu tinha de fazer, eu tinha de tentar.


DS — Tem essa força interior desde sempre?

PA — Acho que sim, no entanto também tenho dias menos bons, como toda a gente. Mas no essencial sou uma pessoa muito positiva desde que me apercebi de que era diferente dos outros meninos. A minha família sempre me disse que eu era diferente, mas que não era inferior. Além disso nunca me escondeu e isso foi fundamental para que eu não tivesse preconceitos. Reajo um bocado mal quando se referem a mim como um “coitadinho”, porque ser diferente não é sinónimo de ser inferior.

DS — Alguma vez se revoltou com a sua própria diferença?

PA — Não. Nunca. Sempre aceitei que se tinha nascido assim era assim que tinha de ir à luta. Acredito que um dia hei-de perceber porque é que nasci assim. Aliás, acho que essa explicação está a começar a surgir. Ouvi muitas vezes as pessoas comentarem que mais valia eu não ter nascido, essas pessoas, quando agora me vêem na televisão talvez tenham uma ideia diferente.

DS — Sente-se um exemplo?

PA — Não, embora últimamente sinta um pouco essa pressão. De certa forma o livro transmite todo o meu positivismo às pessoas e o feedback que tenho tido demonstra isso mesmo. Recebo diáriamente dezenas de emails no meu blog (http://pauloazevedo.portoeditora.pt) com declarações de pessoas que olham para mim como um exemplo, logo eu, que nunca quis ser um exemplo para ninguém e que em determinadas alturas da minha vida fui tudo menos uma pessoa exemplar.

DS — No livro confessa que por volta dos 12 ou 13 anos de idade pensou algumas vezes que talvez nunca nenhuma rapariga viesse a gostar de si. Esses pensamentos perturbavam-no?

PA — Não. Na adolescência, quando os namoricos e as atracções dos meus amigos começaram, pensei algumas vezes que o mais provável era que eu nunca fosse passar pelo mesmo, mas felizmente as coisas foram acontecendo naturalmente e, tal como qualquer outro rapaz da minha idade, fui-me envolvendo com algumas raparigas, até que conheci a Maria João. Nunca procurei o amor, se ele surgisse tudo bem, mas nunca o procurei, talvez para me defender.

DS — Considera-se um homem romântico? Como é que costuma celebrar o Dia dos Namorados?

PA — Nos últimos anos não tenho celebrado o Dia dos Namorados, porque considero que esse dia deve ser celebrado todos os dias do ano. Todos os dias devemos tentar supreender a pessoa amada. No fundo sou um romântico, mas não um romântico lamechas (risos). Gosto apenas de mimar a pessoa que amo.

DS — Qual foi a sua maior vitória pessoal?

PA — A minha maior vitória foi ter conseguido dar o primeiro passo em cima das próteses. Ninguém imagina as dores que as próteses me provocaram até me habituar a elas. Agora, o meu maior sonho é poder continuar a sonhar, ou seja, continuar a ter trabalho como actor e a ser independente e autónomo.


In Dica da Semana, 12 de Fevereio de 2009 - M. J. F.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pastores da Igreja ao serviço do Povo de Deus

Intenção de Bento XVI para o mês de Fevereiro
Pastores da Igreja ao serviço do Povo de Deus

Que os Pastores da Igreja sejam sempre dóceis à acção do Espírito Santo no seu ensinamento e serviço ao Povo de Deus

1. Os «Pastores da Igreja...»

Nenhuma comunidade cristã pode subsistir na ausência de quem a oriente nos caminhos da fé e da fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo. Na Igreja Católica, este serviço é confiado aos bispos, cujo ministério é o mesmo dado por Jesus aos seus apóstolos, o grupo dos Doze. Os Bispos são, por isso, legitimamente chamados sucessores dos apóstolos – e mais ninguém pode, na comunidade católica, reivindicar este título para si. Os Bispos presidem à Igreja – ou melhor, às Igrejas – constituídos, tal como os Doze, em «colégio», em grupo unido não por simples laços humanos, mas pelo próprio Deus. E tal como os Doze, também o colégio dos Bispos é presidido por aquele que Jesus escolheu como fundamento visível da sua Igreja: o Papa, sucessor de Pedro. Separado de Pedro, ou seja, do Papa, nenhum Bispo pode continuar a servir a Igreja e a presidir à comunidade dos fiéis – pelo menos, como Bispo católico.

Logo desde os primeiros tempos, os Bispos – à semelhança dos Apóstolos – foram auxiliados, no seu ministério, por homens escolhidos de entre os fiéis da comunidade. Surgiram assim os presbíteros e os diáconos, os quais, recebendo como o Bispo, embora em graus diferentes, o sacramento da Ordem, constituem os seus mais directos e qualificados colaboradores na missão de guiar o Povo de Deus até à verdade total, que é Cristo.

2. «...dóceis à acção do Espírito Santo»

Humanos como todos os outros humanos, os Pastores da Igreja não estão isentos do pecado, das deficiências de carácter, de tudo quanto é inclinação humana para o mal; e, do mesmo modo, cada um possui virtudes e qualidades que o ajudam no desempenho da sua missão. O mais importante, porém, é a docilidade ao Espírito Santo que os consagrou com a graça própria do sacramento da Ordem. Porque não foram constituídos donos da vinha do Senhor, mas seus administradores, devem confiar sobretudo n'Aquele que os chamou ao ministério, para levarem a bom termo a tarefa de governar e santificar o Povo de Deus.

«Graças ao Baptismo, o Bispo participa, com todo o cristão, da espiritualidade que se funda na incorporação a Cristo e se manifesta no seu seguimento, segundo o Evangelho» (João Paulo II, Pastores Gregis). Esta afirmação do Papa aplica-se a qualquer ministro da Igreja e mostra quanto é necessário todos se sentirem, antes de mais, discípulos do mesmo Mestre e Senhor, Jesus Cristo. Deste modo, o seu ministério será exercido e reconhecido como dom de Deus para o serviço dos irmãos e não como objecto de disputa e ânsia de poder.

3. «...ensinamento e serviço ao Povo de Deus»

Onde melhor se manifesta a docilidade dos ministros da Igreja ao Espírito Santo é no modo como exercem a missão de ensinar e servir o Povo de Deus. No exercício deste ministério, os pastores da Igreja estão chamados a ser «simples como as pombas e prudentes como as serpentes» (Mateus, 10, 16). Quando assim não acontece, o dano que podem causar ao Povo de Deus é muito maior do que quaisquer ataques vindos de fora, por parte dos inimigos da Igreja.

Infelizmente, estes inimigos da Igreja encontram abundante colaboração no interior da mesma: sacerdotes que falam publicamente ou escrevem contra a doutrina ensinada pelo Magistério eclesial; bispos em público desacordo com os seus irmãos no episcopado (ou até com o Santo Padre); pastores fazendo coro com grupos que, da Igreja, só querem o efeito mediático da presença de um bispo ou padre nas suas manifestações; «originalidades» na celebração dos mistérios cristãos, sem nenhuma consideração pelo facto de os sacramentos não serem pertença de quem preside nem da comunidade, pois são sacramentos da Igreja; carreirismo eclesiástico nada condizente com o serviço ministerial...

O serviço dos ministros da Igreja ao Povo de Deus não lhes foi confiado para ser desbaratado dizendo ao mundo aquilo que este deseja ouvir. É muito mais proveitoso para o Povo de Deus quando os seus Pastores se empenham em ensinar os fiéis na fidelidade ao Magistério da Igreja; em formar comunidades cristãs cada vez mais vivas, porque mais exigentes no seu compromisso com o Evangelho; em dinamizar comunidades de fé operosa pela caridade, cuja opção preferencial pelos pobres se percebe nas mais pequenas coisas; em estar ao lado dos mais desprotegidos e sem voz; em denunciar, sem hesitações, os caminhos errados que alguns desejam impor à sociedade... E são muitos, felizmente, os Pastores assim!

Este serviço não encontra, certamente, tantos microfones disponíveis nem câmaras de televisão avaras de uma imagem. Mas resulta em maior bem para a Igreja e para a sociedade. E quando, por anunciar o Evangelho, não aderindo ao progressismo reinante, os microfones e as câmaras de televisão encontrem motivos para se escandalizar com algum Pastor da Igreja, essa será a confirmação mais evidente da sua fidelidade ao Espírito Santo, ensinando e servindo o Povo de Deus.

Elias Couto

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=68966&seccaoid=4&tipoid=217

Igreja e Comunicação: «chip» tem de mudar

Espanhol José Manuel Vidal defende maior aposta numa linguagem clara, directa e mais sedutora José Manuel Vidal, jornalista responsável pela informação religiosa do "El Mundo" e director de www.religiondigital.com, passou por Portugal para um encontro com jornalistas da área da informação religiosa, defendendo a necessidade de mudar o "chip" com que a Igreja aborda o mundo da comunicação.

"Isto significa modernizar-se, admitir as leis da comunicação que a Igreja não pode continuar a ignorar ou querer mudar, terá de submeter-se a elas", assegura.

Na prática, José Manuel Vidal espera "Bispos prontos para responder a qualquer pergunta em qualquer altura, para transmitir mensagens claras, directas, sedutoras".

Este responsável afirma que a oportunidade de entrar no mundo mediático tem sido oferecida à Igreja "quase por obrigação, porque tinha de ser assim". As coisas mudaram e agora há necessidade de "fazer um esforço".

"Para encontrar um espaço nos media é preciso ir à sua procura, ganha-lo, e para isso é necessário preparar-se e preparar pessoas que saibam comunicar, sem problemas, com naturalidade", afirma.

O director de www.religiondigital.com, um espaço que roça os dois milhões de consultas por mês, diz que os próprios Bispos devem "gastar tempo com isto", comparando o impacto que tem uma Nota ou um documento que implica um grande esforço na sua elaboração e só chega "a quem já está convencido", ao impacto de uma mensagem "curta, agradável, directa" divulgada através dos novos meios de comunicação.

"Poderia chegar a milhares, a milhões de pessoas e é isso que é preciso fazer", aponta.

José Manuel Vidal admite, por outro lado, que "os meios de comunicação também têm de mudar o chip, porque a respeito da temática religiosa há muita ignorância e desinformação".

Tal como em Espanha há jornalistas especializados nas questões da Monarquia, da Casa Real, o director de "ReligionDigital" defende que "quem informa sobre a Conferência Episcopal, sobre a Igreja, tem de ter uma preparação muito séria, tanto em teologia como na história e na actualidade da Igreja, saber quem são as pessoas que têm voz e voto".

"Os jornalistas também se devem habituar a ver na Igreja uma proposta social importante, interessante, de valores e que pode fazer muito bem à sociedade, que não pode prescindir dessa mensagem positiva", observa, que inclui temas como amor, liberdade, solidariedade.

Apesar de ter chegado tarde à "galáxia Internet", nota-se um esforço da Igreja em recuperar o tempo perdido, ainda que muitas páginas sejam "muito más".

A Igreja tem de saber que "a Internet é já o presente, não o futuro", apesar do "gosto pela tinta" que ainda têm a maioria dos Bispos. O Papa deu um exemplo relevante, com a entrada no YouTube, que deveria ser seguido pelas figuras mais relevantes do mundo católico, atira José Manuel Vidal.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=69476&seccaoid=3&tipoid=41