sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fátima: «Milagre do Sol» chega ao Cinema


A não perder....

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2009

Papa lembra prática do jejum, afirmando que, «nos nossos dias» parece «ter perdido um pouco do seu valor espiritual»

“Jesus, após ter jejuado durante 40 dias e 40 noites, por fim, teve fome” (Mt 4, 2)

No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal).

Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.

Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O "não comas" e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98).

Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção.

O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.

No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4).

O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.

Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus.

O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).

Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus.

Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I).

A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).

A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: L 40, 708).

Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.

Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17).

Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente.

Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola.

Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.

De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos.

Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».

Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21).

A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo.

Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma.

Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.

BENEDICTUS PP. XV

Documentos | Bento XVI| 23/02/2009 | 18:01 | 9499 Caracteres | 1991 | Bento XVI

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=68974&seccaoid=9&tipoid=217

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

GEN Verde - La coperta del mondo




No Mundo em que vivemos, cada vez mais se nutre, o sentimento da inexistência de Paz... Desde 1966 existe uma banda que já percorreu o Mundo com tournées pela Europa, Ásia e América. Constituída por vinte e quatro mulheres de catorze nações, esta banda, GEN VERDE, tem um compromisso: dar um testemunho de paz. Com a convicção de que não pararão até que expluda com a música e a dança, um dom para todos: a solidariedade. Podemos resumir o seu concerto em: Cores, Símbolos, Emoções, Poesia e Imagens que ocorrem, com base em um hino à aventura humana iluminada pela luz do infinito. Tem como tema principal, o amor que oprime com a luz, apenas, como o esplendor das estrelas… O que está envolto na escuridão do ódio e da indiferença... abrindo caminho ao diálogo com todas as formas de encontrar a paz e a solidariedade, e apreciar o que nos une. E assim se abre o caminho à sofrida certeza: Cada semente plantada, ao morrer dá vida a uma nova planta. E no Inverno do nosso planeta, atirar a flor de uma humanidade renovada.

Uma lição de vida!!!

Ora vivam!

Fraternidade e gratuidade são, no meu entender, dois dos valores mais urgentes para o nosso tempo. Por outras palavras – precisamos de conviver mais por amizade, e encontrarmo-nos menos por interesse.

Mais uma lição de vida, em que o CHC também colaborou. Paulo Azevedo é um jovem bem perto de nós, que nos pode dizer algo sobre os valores humanos.

Com amizade, Padre Pedro.


A 29 de Outubro de 1981 nascia sem aviso prévio e após uma gravidez de oito meses, Paulo Azevedo, um bebé diferente, sem mãos nem pernas, a quem os médicos não auguravam nada de bom. Natural da Redinha, uma pequena povoação do concelho de Pombal, ainda antes de fazer um ano de idade, Paulo e a mãe, na altura uma adolescente, mudaram-se para Alcoitão, onde ficou internado cerca de dois anos até começar a ser acompanhado em Coimbra. Por volta dos três anos de idade colocaram-lhe as primeiras próteses de pernas, sendo que nunca se adaptou às próteses de mãos. Antes de completar cinco anos de idade deu o seu primeiro passo sem qualquer apoio. No Natal de 1993 o avô materno ofereceu-lhe uma moto 4 amarela e a partir daí a Redinha e as redondezas deixaram de ter segredos para ele. Nessa altura Paulo Azevedo fazia já parte do Núcleo de Teatro do colégio que frequentava e começava secretamente a sonhar com uma carreira de actor. Depois de terminar o 12º ano ingressou no curso de jornalismo, na Universidade de Coimbra, que frequentou até ao terceiro ano, altura em que decidiu começar a trabalhar para poder financiar o curso de representação com que continuava a sonhar. Quase dois anos depois, num programa de televisão para o qual tinha sido convidado na sequência de uma reportagem da $portTV, falou publicamente do seu desejo de ser actor e o actor Tozé Martinho desafiou-o a fazer o curso de representação que leccionava, uma proposta que não hesitou em aceitar. Seguiu-se o convite para a reportagem "Uma Vida Normal", emitida pela SIC e que recentemente deu lugar a um livro com o mesmo título, e o convite de Nuno Santos e de Virgílio Castelo para integrar o elenco da telenovela "Podia Acabar o Mundo", actualmente em exibição na estação de Carnaxide, onde Paulo Azevedo interpreta o papel de Raimundo, um jovem advogado.


Aos 28 anos de idade Paulo Azevedo é um exemplo de força e de determinação.

DS – Depois da SlC ter emitido a reportagem “Uma Vida Normal” o que é que mudou na sua vida?

PA – A reportagem da Sofia Arêde mudou a minha vida radicalmente. Nessa altura, ao contrário do que aconteceu agora com o livro, não hesitei, porque sempre deixei bem claro que não queria passar uma imagem de “coitadinho”.

DS – Lembra-se da primeira vez que sonhou que queria ser actor?

PA – Na escola primária adorava participar nos “teatrinhos” que se faziam nas festas de Natal e de final do ano e quando entrei no liceu formámos um grupo de teatro. Aquilo que foi a partir daí que o “bichinho” foi crescendo. Sempre tive vontade de perseguir este sonho, mas nunca arrisquei, porque tinha medo de ser vitima de preconceito. Felizmente isso nunca aconteceu.

DS – Nem mesmo na escola?

PA – Sempre tive necessidade de pertencer ao grupo dos miúdos mais famosos da escola, porque pertencendo a esse grupo sabia que ninguém me excluía e que todos me protegiam. Aquilo que eu queria não era dar nas vistas, mas sim sentir-me integrado e protegido.

DS – Preocupa-o o que se seguirá à telenovela "Podia Acabar o Mundo" em exibição na SIC?

PA – Claro. Tenho medo que quando deixar de ser novidade deixe de ter trabalho. Ainda há pouco tempo partilhava isso com o Diogo Morgado e com o Pauto Rosa, o nosso realizador de exteriores. Dizia-lhes que tinha noção de que tinha de ter papéis especficos para mim e ambos ficaram surpreendidos. O Paulo Rosa disse-me que os papéis específicos só existem aos olhos do realizador ou do encenador. Nesta telenovela por exemplo, vou fazer uma cena em que tenho um acidente de mota e não tenho qualquer duplo. Vou fazê-la sózinho, porque sinto que a consigo fazer. Felizmente o Raimundo não é uma personagem gratuita em que a minha deficiência é explorada. Nesse aspecto a SIC tem-me protegido bastante, porque não está a esgotar a minha imagem. Sei que ainda não sou verdadeiramente actor, mas vou trabalhando para o ser.

DS – Se ser actor era um sonho de criança porque é que ingressou no jornalismo?

PA – Acima de tudo para fazer a vontade da minha familia, contudo, logo no final do primeiro ano percebi que não era aquilo que queria. Mesmo assim mantive-me no curso até ao terceiro ano, mas a determinada altura senti que tinha de tomar uma decisão. porque os anos estavam a passar e se queria arriscar tinha de ser o quanto antes. Por isso desisti do curso e fui trabalhar para tentar juntar o dinheiro necessário para vir para Lisboa fazer o curso de representação. Quando reuni as condições necessárias deixei tudo, vim para Lisboa e arrisquei mesmo sem nunca ninguém me ter dado esperanças de arranjar trabalho, mas o curso eu tinha de fazer, eu tinha de tentar.


DS — Tem essa força interior desde sempre?

PA — Acho que sim, no entanto também tenho dias menos bons, como toda a gente. Mas no essencial sou uma pessoa muito positiva desde que me apercebi de que era diferente dos outros meninos. A minha família sempre me disse que eu era diferente, mas que não era inferior. Além disso nunca me escondeu e isso foi fundamental para que eu não tivesse preconceitos. Reajo um bocado mal quando se referem a mim como um “coitadinho”, porque ser diferente não é sinónimo de ser inferior.

DS — Alguma vez se revoltou com a sua própria diferença?

PA — Não. Nunca. Sempre aceitei que se tinha nascido assim era assim que tinha de ir à luta. Acredito que um dia hei-de perceber porque é que nasci assim. Aliás, acho que essa explicação está a começar a surgir. Ouvi muitas vezes as pessoas comentarem que mais valia eu não ter nascido, essas pessoas, quando agora me vêem na televisão talvez tenham uma ideia diferente.

DS — Sente-se um exemplo?

PA — Não, embora últimamente sinta um pouco essa pressão. De certa forma o livro transmite todo o meu positivismo às pessoas e o feedback que tenho tido demonstra isso mesmo. Recebo diáriamente dezenas de emails no meu blog (http://pauloazevedo.portoeditora.pt) com declarações de pessoas que olham para mim como um exemplo, logo eu, que nunca quis ser um exemplo para ninguém e que em determinadas alturas da minha vida fui tudo menos uma pessoa exemplar.

DS — No livro confessa que por volta dos 12 ou 13 anos de idade pensou algumas vezes que talvez nunca nenhuma rapariga viesse a gostar de si. Esses pensamentos perturbavam-no?

PA — Não. Na adolescência, quando os namoricos e as atracções dos meus amigos começaram, pensei algumas vezes que o mais provável era que eu nunca fosse passar pelo mesmo, mas felizmente as coisas foram acontecendo naturalmente e, tal como qualquer outro rapaz da minha idade, fui-me envolvendo com algumas raparigas, até que conheci a Maria João. Nunca procurei o amor, se ele surgisse tudo bem, mas nunca o procurei, talvez para me defender.

DS — Considera-se um homem romântico? Como é que costuma celebrar o Dia dos Namorados?

PA — Nos últimos anos não tenho celebrado o Dia dos Namorados, porque considero que esse dia deve ser celebrado todos os dias do ano. Todos os dias devemos tentar supreender a pessoa amada. No fundo sou um romântico, mas não um romântico lamechas (risos). Gosto apenas de mimar a pessoa que amo.

DS — Qual foi a sua maior vitória pessoal?

PA — A minha maior vitória foi ter conseguido dar o primeiro passo em cima das próteses. Ninguém imagina as dores que as próteses me provocaram até me habituar a elas. Agora, o meu maior sonho é poder continuar a sonhar, ou seja, continuar a ter trabalho como actor e a ser independente e autónomo.


In Dica da Semana, 12 de Fevereio de 2009 - M. J. F.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pastores da Igreja ao serviço do Povo de Deus

Intenção de Bento XVI para o mês de Fevereiro
Pastores da Igreja ao serviço do Povo de Deus

Que os Pastores da Igreja sejam sempre dóceis à acção do Espírito Santo no seu ensinamento e serviço ao Povo de Deus

1. Os «Pastores da Igreja...»

Nenhuma comunidade cristã pode subsistir na ausência de quem a oriente nos caminhos da fé e da fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo. Na Igreja Católica, este serviço é confiado aos bispos, cujo ministério é o mesmo dado por Jesus aos seus apóstolos, o grupo dos Doze. Os Bispos são, por isso, legitimamente chamados sucessores dos apóstolos – e mais ninguém pode, na comunidade católica, reivindicar este título para si. Os Bispos presidem à Igreja – ou melhor, às Igrejas – constituídos, tal como os Doze, em «colégio», em grupo unido não por simples laços humanos, mas pelo próprio Deus. E tal como os Doze, também o colégio dos Bispos é presidido por aquele que Jesus escolheu como fundamento visível da sua Igreja: o Papa, sucessor de Pedro. Separado de Pedro, ou seja, do Papa, nenhum Bispo pode continuar a servir a Igreja e a presidir à comunidade dos fiéis – pelo menos, como Bispo católico.

Logo desde os primeiros tempos, os Bispos – à semelhança dos Apóstolos – foram auxiliados, no seu ministério, por homens escolhidos de entre os fiéis da comunidade. Surgiram assim os presbíteros e os diáconos, os quais, recebendo como o Bispo, embora em graus diferentes, o sacramento da Ordem, constituem os seus mais directos e qualificados colaboradores na missão de guiar o Povo de Deus até à verdade total, que é Cristo.

2. «...dóceis à acção do Espírito Santo»

Humanos como todos os outros humanos, os Pastores da Igreja não estão isentos do pecado, das deficiências de carácter, de tudo quanto é inclinação humana para o mal; e, do mesmo modo, cada um possui virtudes e qualidades que o ajudam no desempenho da sua missão. O mais importante, porém, é a docilidade ao Espírito Santo que os consagrou com a graça própria do sacramento da Ordem. Porque não foram constituídos donos da vinha do Senhor, mas seus administradores, devem confiar sobretudo n'Aquele que os chamou ao ministério, para levarem a bom termo a tarefa de governar e santificar o Povo de Deus.

«Graças ao Baptismo, o Bispo participa, com todo o cristão, da espiritualidade que se funda na incorporação a Cristo e se manifesta no seu seguimento, segundo o Evangelho» (João Paulo II, Pastores Gregis). Esta afirmação do Papa aplica-se a qualquer ministro da Igreja e mostra quanto é necessário todos se sentirem, antes de mais, discípulos do mesmo Mestre e Senhor, Jesus Cristo. Deste modo, o seu ministério será exercido e reconhecido como dom de Deus para o serviço dos irmãos e não como objecto de disputa e ânsia de poder.

3. «...ensinamento e serviço ao Povo de Deus»

Onde melhor se manifesta a docilidade dos ministros da Igreja ao Espírito Santo é no modo como exercem a missão de ensinar e servir o Povo de Deus. No exercício deste ministério, os pastores da Igreja estão chamados a ser «simples como as pombas e prudentes como as serpentes» (Mateus, 10, 16). Quando assim não acontece, o dano que podem causar ao Povo de Deus é muito maior do que quaisquer ataques vindos de fora, por parte dos inimigos da Igreja.

Infelizmente, estes inimigos da Igreja encontram abundante colaboração no interior da mesma: sacerdotes que falam publicamente ou escrevem contra a doutrina ensinada pelo Magistério eclesial; bispos em público desacordo com os seus irmãos no episcopado (ou até com o Santo Padre); pastores fazendo coro com grupos que, da Igreja, só querem o efeito mediático da presença de um bispo ou padre nas suas manifestações; «originalidades» na celebração dos mistérios cristãos, sem nenhuma consideração pelo facto de os sacramentos não serem pertença de quem preside nem da comunidade, pois são sacramentos da Igreja; carreirismo eclesiástico nada condizente com o serviço ministerial...

O serviço dos ministros da Igreja ao Povo de Deus não lhes foi confiado para ser desbaratado dizendo ao mundo aquilo que este deseja ouvir. É muito mais proveitoso para o Povo de Deus quando os seus Pastores se empenham em ensinar os fiéis na fidelidade ao Magistério da Igreja; em formar comunidades cristãs cada vez mais vivas, porque mais exigentes no seu compromisso com o Evangelho; em dinamizar comunidades de fé operosa pela caridade, cuja opção preferencial pelos pobres se percebe nas mais pequenas coisas; em estar ao lado dos mais desprotegidos e sem voz; em denunciar, sem hesitações, os caminhos errados que alguns desejam impor à sociedade... E são muitos, felizmente, os Pastores assim!

Este serviço não encontra, certamente, tantos microfones disponíveis nem câmaras de televisão avaras de uma imagem. Mas resulta em maior bem para a Igreja e para a sociedade. E quando, por anunciar o Evangelho, não aderindo ao progressismo reinante, os microfones e as câmaras de televisão encontrem motivos para se escandalizar com algum Pastor da Igreja, essa será a confirmação mais evidente da sua fidelidade ao Espírito Santo, ensinando e servindo o Povo de Deus.

Elias Couto

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=68966&seccaoid=4&tipoid=217

Igreja e Comunicação: «chip» tem de mudar

Espanhol José Manuel Vidal defende maior aposta numa linguagem clara, directa e mais sedutora José Manuel Vidal, jornalista responsável pela informação religiosa do "El Mundo" e director de www.religiondigital.com, passou por Portugal para um encontro com jornalistas da área da informação religiosa, defendendo a necessidade de mudar o "chip" com que a Igreja aborda o mundo da comunicação.

"Isto significa modernizar-se, admitir as leis da comunicação que a Igreja não pode continuar a ignorar ou querer mudar, terá de submeter-se a elas", assegura.

Na prática, José Manuel Vidal espera "Bispos prontos para responder a qualquer pergunta em qualquer altura, para transmitir mensagens claras, directas, sedutoras".

Este responsável afirma que a oportunidade de entrar no mundo mediático tem sido oferecida à Igreja "quase por obrigação, porque tinha de ser assim". As coisas mudaram e agora há necessidade de "fazer um esforço".

"Para encontrar um espaço nos media é preciso ir à sua procura, ganha-lo, e para isso é necessário preparar-se e preparar pessoas que saibam comunicar, sem problemas, com naturalidade", afirma.

O director de www.religiondigital.com, um espaço que roça os dois milhões de consultas por mês, diz que os próprios Bispos devem "gastar tempo com isto", comparando o impacto que tem uma Nota ou um documento que implica um grande esforço na sua elaboração e só chega "a quem já está convencido", ao impacto de uma mensagem "curta, agradável, directa" divulgada através dos novos meios de comunicação.

"Poderia chegar a milhares, a milhões de pessoas e é isso que é preciso fazer", aponta.

José Manuel Vidal admite, por outro lado, que "os meios de comunicação também têm de mudar o chip, porque a respeito da temática religiosa há muita ignorância e desinformação".

Tal como em Espanha há jornalistas especializados nas questões da Monarquia, da Casa Real, o director de "ReligionDigital" defende que "quem informa sobre a Conferência Episcopal, sobre a Igreja, tem de ter uma preparação muito séria, tanto em teologia como na história e na actualidade da Igreja, saber quem são as pessoas que têm voz e voto".

"Os jornalistas também se devem habituar a ver na Igreja uma proposta social importante, interessante, de valores e que pode fazer muito bem à sociedade, que não pode prescindir dessa mensagem positiva", observa, que inclui temas como amor, liberdade, solidariedade.

Apesar de ter chegado tarde à "galáxia Internet", nota-se um esforço da Igreja em recuperar o tempo perdido, ainda que muitas páginas sejam "muito más".

A Igreja tem de saber que "a Internet é já o presente, não o futuro", apesar do "gosto pela tinta" que ainda têm a maioria dos Bispos. O Papa deu um exemplo relevante, com a entrada no YouTube, que deveria ser seguido pelas figuras mais relevantes do mundo católico, atira José Manuel Vidal.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=69476&seccaoid=3&tipoid=41

Sobrevivente de aborto é campeã de natação

Jovem de 19 anos testemunhará em Fórum da Família na Espanha

Por Nieves San Martín

MADRI, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- É impressionante ver na coletiva de imprensa a jovem de 19 anos, Miriam, com uma paralisia cerebral que quase não se percebe, campeã de natação, premiada também em um concurso de canções, falando de que, graças a que sua mãe biológica a dera em adoção aos seis meses a uma família, ela pôde obter estas conquistas em sua vida. É um dos pontos fortes da campanha informativa que o Fórum Espanhol da Família empreende e que foi apresentado hoje em Madri.

A campanha de informação por toda a Espanha, sobre o direito à maternidade e sobre o aborto, é feita com o slogan «Sua vida é tua vida: defesa da vida, um desafio para o século 21».

Na coletiva de imprensa intervieram o presidente do Fórum Espanhol da Família; a presidente da Fundação RedMadre; a porta-voz da campanha e Mirian Fernández, «sobrevivente de um aborto», disseram os organizadores, campeã de nacional de natação e cantora.

A campeã pretende «despertar a consciência cidadã sobre o imenso drama que todo aborto supõe e difundir as alternativas de apoio à mulher, para que nenhuma se veja sozinha diante do aborto», indica o Fórum.

Miriam Fernández, de 19 anos, contou em primeira pessoa sua experiência sobre o aborto: «Eu seria abortada por malformações, tenho paralisia cerebral por causa de uma bolha de ar no cérebro. Graças aos meus pais terem me dado em adoção, consegui seguir adiante, sou campeã nacional de natação, ganhei um concurso na televisão como cantora e agora estou fazendo faculdade. Creio que a adoção é uma das vias mais importantes na hora de pensar em abortar».

O Fórum Espanhol, além das alternativas ao aborto e a conscientização cidadã, iniciou, desde o final de 2006, 17 iniciativas legislativas populares para impulsionar a criação em toda a Espanha de uma rede solidária de apoio à mulher grávida – a RedMadre –, para ajudá-la em liberdade a identificar e buscar soluções alternativas para o aborto e para os problemas reais que a gravidez imprevista pode gerar.

«Em uma sociedade desenvolvida, nenhuma mulher deveria ficar em situação de desamparo social só por estar grávida e encontrar-se em situação de considerar o aborto», diz em sua introdução o programa da RedMadre.

A solidão de uma mulher diante da gravidez pode se ver agravada «pelo abandono e irresponsabilidade do pai, a ameaça expressa ou suposta de perda do emprego ou outros problemas de integração social específicos com os associados às singulares circunstâncias das imigrações em situação precária na Espanha».

Fonte: http://www.zenit.org