quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Como entrar em Medicina sem grandes dores de cabeça.... ( Programa novas oportunidades)

É mais uma história de sucesso do Programa Novas Oportunidades, o tal programa tão elogiado pelo primeiro-ministro. Um programa que conduzirá Portugal ao primeiro lugar mundial nas estatísticas sobre Educação. Agora, ficamos a saber que Pedro Póvoa, atleta de Taekwondo, vai entrar em Medicina sem nunca ter posto os pés numa escola secundária. Desta forma, o Governo manda uma mensagem a todos os jovens portugueses: não é preciso estudar Biologia nem Química para entrar em Medicina. Nem é preciso frequentar o ensino secundário durante 3 anos. Bastam 6 meses no Nova Oportunidades. E a Ordem dos Médicos fica calada? Está revoltado? Não vale a pena revoltar-se. Não queira ser apelidado de "pessimista de serviço"!

Já se sabia que o Nova Oportunidades está a dar diplomas do ensino secundário à velocidade da luz. Ficamos agora a saber que há quem veja nele o caminho mais curto para ser médico. Já tinhamos engenheiros civis sem Matemática e Física do secundário, economistas sem Matemática e linguistas sem Latim. Agora passamos a ter médicos que tiraram o 12º ano em 6 meses. Estudar Biologia? Para quê? Química? Não é preciso! Matemática? É chato!

sábado, 6 de setembro de 2008

E quando não ouço a voz de Deus?

Muitas vezes, esperamos que Deus nos fale através de situações grandiosas

Para respondermos a esta pergunta vamos seguir os passos daqueles que foram exemplares ouvintes da voz de Deus: os profetas bíblicos, pois os entendemos como aqueles que por excelência estavam em contacto directo com o Senhor. Para ilustrar esta experiência vejamos a história do profeta Elias. Ao lermos os relatos sobre este grande homem de Deus não temos dúvidas de que foi um grande profeta.
Realizou grandes feitos: pela sua palavra não choveu em Israel; os corvos serviam-lhe pão e carne enquanto estava em fuga; multiplicou a farinha e o azeite na casa da viúva de Serepta; ressuscitou o filho dessa mesma viúva; desafiou os 450 profetas de Baal pedindo fogo do céu para queimar o holocausto oferecido a Javé, entre outros.

Mas, um belo dia, Deus mandou-o sair da gruta em que estava escondido porque o Senhor passaria diante dele. Diz-nos o Livro de Reis que um grande e impetuoso furação fendia as montanhas e quebrava os rochedos, mas Deus não estava no furação. Depois disso houve um terremoto, mas o Senhor também não estava nesse fenômeno; a seguir, houve um fogo, mas Ele também não estava nele [fogo] (cf. I Reis 19, 9-13). Foi então que veio o ruído de uma brisa leve e Deus estava naquele som! Elias chegou a cobrir o rosto com o seu manto, devido a tamanha presença de Deus naquele pequeno ruído.

Da mesma maneira costuma acontecer conosco. Ficamos a esperar que o Senhor nos fale por intermédio de situações grandiosas e fantásticas. Muitos de nós acostumamo-nos, inclusive, a ouvi-Lo somente "nos furacões" dos grandes encontros e retiros, no "fogo" da empolgação do nosso primeiro encontro pessoal com Ele, no "terremoto" deste ou daquele dia no qual tivemos uma experiência sobrenatural…

Ouvir Deus nestas ocasiões é importante, mas não o suficiente. Precisamos de fazer como nos ensinou o nosso querido padre Léo: Rezar a vida! E assim, entender que Deus nos fala a todo instante e das mais variadas formas.

São Bento já ensinava isto ao colocar como fio condutor da regra de vida dos beneditinos o par: "Ore e Labore" (oração e trabalho). Para ele a experiência de ouvir a voz de Deus acontece, quatidianamente, nas realidades mais ordinárias da nossa vida.

No trabalho, ou seja, nas situações do dia-a-dia, Deus fala-nos.
Fala-nos por meio de um gesto amigo, de um sorriso, de um encontro inesperado; por meio do cansaço de um dia puxado de trabalho, de um abraço, de um telefonema, de um carinho, da chuva que cai, de uma música que traz lembranças boas, de um e-mail, de uma cena que observamos.

E de forma mais clara ainda, o Senhor fala-nos nos nossos momentos de oração. Mas também dou ênfase às ocasiões quatidianas de encontros com o Senhor, pois não é sempre que participamos nos encontro, acampamentos ou retiros. Sendo assim, precisamos ter práticas de oração que nos levem a encontrar e a ouvir Deus diariamente.

E ainda que nosso corpo não nos impulsione à oração, pois nem sempre dispomos de entusiasmo para a oração espontânea, podemos, ao participar da Santa Missa, ao recitar o rosário ou o terço, ao meditar a Palavra, ao rezar o salmo do dia, entre outros, mantermos uma disciplina de oração que nos coloca em contacto directo com o Senhor – mesmo que o corpo, os sentimentos e a cabeça não estejam dispostos a isso, pois essas e outras práticas diárias, por muitos consideradas mecânicas, têm a facilidade de nos levar à oração também quando não temos vontade de rezar.

Por isso, não fique dependente de ouvir Deus através do "furacão", do "terremoto" ou do "fogo". Escute a doce voz do Senhor que se apresenta num pequeno ruído de uma simples brisa. A brisa suave que quatidianamente vem a nós. A brisa suave que nos transmite a voz de Deus no dia-a-dia do trabalho e da oração.

Denis Duarte
denisufv@yahoo.com.br
Denis Duarte é pesquisador, professor, escritor, especialista em Bíblia e mestrando em Ciências da Religião na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico.
Autor dos livros: "Se creres, verás glória de Deus" e "Experiência de ouvir e transmitir a voz de Deus"


Fonte: http://www.cancaonova.pt/?p=1041

Cuidar dos refugiados - Intenção do Papa para o mês de SETEMBRO

Que sejam apoiados pelos cristãos na defesa dos seus direitos aqueles que, por causa de guerras ou de regimes totalitários, se vêem obrigados a abandonar a própria casa e a sua pátria [Intenção do Papa para o mês de SETEMBRO]

1. Dever de proteger

À luz da Carta das Nações Unidas, é responsabilidade de cada Estado e respectivas autoridades proteger os seus cidadãos e velar por que os Direitos Humanos sejam respeita-dos no seu território. Infelizmente, é possível afirmar, sem risco de erro, que a maior parte das violações graves dos Direitos Humanos (massacres de populações, genocídios, priva-ção da liberdade de expressão e da liberdade religiosa...) são cometidas pelos governos locais ou resultam da falência completa da autoridade do Estado. Coloca-se, neste contexto, a actualmente muito discutida questão de saber se a «Comunidade Internacional» deve ou não intervir em tais casos, garantindo a segurança ou o socorro das populações, à revelia dos governos nacionais. A questão ganhou ainda mais pertinência face ao comportamento criminoso das autoridades de Myanmar, no passado mês de Maio, quando o furacão Nargis devastou grande parte do país, matando cerca de cem mil pessoas, e o governo local nem organizou a protecção atempada das populações, nem o socorro depois da tempestade e ainda levantou dificuldades insuperáveis às organizações internacionais dispostas a socor-rer os sinistrados.

2. Dever de acolher

A «responsabilidade de proteger» está ainda muito longe de encontrar aplicação efec-tiva – porque regimes criminosos e ditatoriais nunca a aceitarão, pois tal seria o seu fim, e porque a comunidade internacional dificilmente chegará a acordo sobre o que seria um legí-timo «direito de ingerência», quem o definiria e quem o executaria. Assim sendo, multidões de pessoas continuam a ser forçadas a deixar os seus países, quer devido a situações de guerra civil, quer devido às perseguições sofridas por parte de regimes totalitários. Junta-se, por isso, à discutida «responsabilidade de proteger» um menos discutido «dever de aco-lher», igualmente aplicável a todos os países: quem é obrigado a abandonar a sua terra, tem o direito de encontrar acolhimento noutro lugar, pois a Terra é o lugar de todos os humanos e ninguém é totalmente estranho, onde quer que se encontre – aliás, para onde iria? É certo que nem todos os países têm igual capacidade para acolher populações deslocadas, às vezes em grande número. Precisamente por isso, o dever de acolher não é de um ou alguns países em concreto, mas de toda a comunidade internacional, se esta deseja preservar os princípios básicos das relações entre os povos e as nações. Será sempre preferível que as populações deslocadas não tenham de ir para países longínquos, tornando muito mais difícil o seu regresso – mas os países de acolhimento devem poder contar com a solidariedade internacional e com a colaboração das nações mais abastadas. E, tanto quanto possível, urge evitar a constituição de campos de refugiados, sempre degradantes e propícios a criar situações de desumanização e violência. As populações deslocadas devem ser acolhidas e integradas na vida dos países onde se encontram, sobretudo quando não se vê como viável o rápido regresso ao país de origem.

3. Comunidades cristãs activas e acolhedoras

As comunidades cristãs não podem eximir-se a este «dever de acolhimento». Actual-mente, sobretudo no Médio Oriente, muitos daqueles que se vêm obrigados a fugir do pró-prio país são cristãos – e é imperioso que encontrem nos países de acolhimento comunida-des cristãs disponíveis para os receberem e integrarem. O mesmo se aplica, porém, a quaisquer refugiados: em nome da comum humanidade e da certeza de que todos são filhos do mesmo Deus, os cristãos devem mostrar-se activamente comprometidos no seu acolhi-mento. Em muitos casos, tal compromisso passará por dar voz aos seus direitos, pois os refugiados dificilmente podem falar por si mesmos, dada a precariedade da sua situação. Além disso, e porque nem sempre é fácil vencer as desconfianças e rejeições das popula-ções locais face à chegada de grandes grupos de gente desprovida de tudo, importa estar presente, no terreno, criando condições para a integração e para o respeito mútuo. Os cris-tãos, certamente, não são os únicos a terem obrigação de agir assim. A sua fé, porém, exi-ge-lhes esta atitude de acolhimento e defesa dos direitos dos refugiados, como irmãos parti-cularmente queridos, nos quais se faz presente a paixão do seu Senhor e Mestre.

Elias Couto


Internacional | Elias Couto| 03/09/2008 | 16:44 | 4561 Caracteres | 55 | Bento XVI

Fonte: Agência Ecclesia
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=63676&seccaoid=4&tipoid=217