No Mundo em que vivemos, cada vez mais se nutre, o sentimento da inexistência de Paz... porque não a encontrar no olhar do nosso irmão, do nosso próximo? É no olhar... que se encontra o segredo da Paz!!! Este Blogue, é o meu Blogue pessoal como tantos outros... terei o objectivo de abordar este tema "No Olhar... O Segredo da Paz". Trazendo, aqui, convidados para debater o tema.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Isabel Alves Costa
Faleceu no dia 15 de Agosto uma das pessoas que me agradou conhecer nestes já quatro anos de ensino superior. Uma fantástica pessoa que lembrarei com todas as minhas forças e com todo o meu coração. Minha querida Professora Doutora Isabel Alves Costa, tenho a certeza, e ninguém poderá dizer o contrário, serás sempre lembrada por todos os teus amigos... já que outros não reconheceram o teu valor e esforço. No Mundo que vivemos não vale o que fazemos, mas sim a fama e os fans que conseguimos durante a vida. Agradeço tudo o que muito me ensinaste sobre TEATRO. Obrigado Professora Doutora, e Amiga, Isabel Alves Costa.
A seguir encontrasse uma notícia, do JN, que reflecte a crua realidade da vida... não sou contra a memória de Raul Solnado, pelo contrário, fui, e serei, sempre um dos seus fans incondicionais, com ele muito Ri e muito Pensei. Mas será que uma pessoa que não aparece na Televisão, e que fez tanto pela cultura de uma cidade e de um País, não merece também ela uma homenagem. Conhecida nacional e internacionalmente, mas muito poucos ouviram falar dela.
Como diz o outro: É A VIDA!!!
A programadora Isabel Alves Costa foi ontem, segunda-feira, cremada, no cemitério Prado do Repouso, no Porto, sendo lembrada pelo ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, como "uma grande mulher, dedicada à liberdade e à criatividade".
Primeira e última directora do Rivoli Teatro Municipal, no Porto, Isabel Alves Costa faleceu no passado sábado, na sua casa de férias, em Monção, aos 63 anos, vítima de doença súbita.
De estranhar o facto de a Câmara do Porto não ter feito uma alusão pública à morte desta figura da cidade, apesar de ter enviado uma coroa de flores com um cartão de condolências, que foram entregues ao marido. No site da Autarquia, foi publicada a mensagem de condolências de Rui Rio à família de Raul Solnado. No entanto, Isabel Alves Costa, que dirigiu uma das principais salas de espectáculo da cidade, não foi merecedora de atenção semelhante.
Pinto Ribeiro considera que a morte de Isabel Alves Costa representa "um perda muito grande para a cultura portuguesa", tendo ainda referido que "a cidade já tinha perdido um pouco por culpa própria".
"Cabe-nos a nós continuá-la e fazer o que ela fez, cada um à sua maneira", concluiu o ministro, num depoimento à agência Lusa, enquanto esperava pela saída do funeral, no exterior da igreja de Cedofeita, no Porto.
sábado, 16 de maio de 2009
FAÇO-ME TUDO PARA TODOS, PARA DEIXAR O MUNDO UM POUCO MELHOR QUE O ENCONTREI
No Mundo em que vivemos cada vez mais se nutre o sentimento da inexistência de Paz... e cada vez mais percebo por que motivo muitas pessoas deixam de acreditar na existência de um Deus Poderoso e Fiel, por que deixam de frequentar a igreja e os seus rituais.
Esta semana falando com um colega de curso e questionando a sua crença, se era ou não, a respostas foi a seguinte: Sou contra muitas coisas, sou contra as pessoas que lêem a Bíblia sem pensarem no que lêem, mas acredito que Deus existe, só que não professo nenhuma religião pois o que as pessoas fazem é tudo menos seguir o que Jesus queria. Questionei esta pessoa por ser uma pessoa que muito admiro, mas que muitos, diriam que era Ateu pela forma que veste e fala.
Leva-me a questionar a razão de o ser. Como seria possível chegar a estas pessoas… e aí, lembrei-me da forma como me converti. Tudo isto, para as pessoas que me conhecem mal talvez questionem: como te converteste? Sim, como me converti!!! Para mim o Aposto São Paulo é o meu maior Ídolo, para muitos talvez cometa uma heresia, mas é sem dúvida muito mais que Jesus Cristo. O quê?!? Sim, por que Cristo para mim não é um Ídolo mas sim muito mais que isso, para mim, Cristo é uma referencia de como havemos de viver. Enquanto um Ídolo de um momento para outro pode deixar de o ser, Cristo é uma referência de vida porque é Ele que eu tento seguir mesmo sabendo ser impossível....
Para ser mais explícito, na música há ídolos e referências musicais, os ídolos podem morrer ou acabar a carreira, mas as referências musicais são imortais mesmo que deixem de tocar ou venham a falecer. Um músico (como eu) terá sempre uma referência para tentar igualar mas que naturalmente será sempre impossível… não uma impossibilidade física e técnica, mas uma impossibilidade espiritual, pois nunca deixa de ser referencia mesmo que venhamos a ser melhores. Igualmente, como na música, é como Jesus Cristo… temos que ter Cristo como referência de Vida mesmo que tenhamos a certeza que a esta referência dificilmente igualaremos.
São Paulo para mim é um ídolo, pois como ele, por muito tempo duvidei da presença e existência de um Deus Vivo e Ressuscitado, ou melhor, acreditei sempre na não existência de Deus. Até ao dia que conhecia a minha Associação KERYGMA (www.kerygma.pt) que hoje sinto o orgulho de fazer parte. Faz sete anos – em Dezembro de 2009 – que me converti e desde aí tento fazer o que São Paulo disse: “Fiz-me tudo para todos…” Sim!!! Para todos!!! É difícil?!? Eu sei!!! Mas não impossível. Só uma pessoa não pecou mas duvidou: Jesus Cristo na hora da sua morte duvidou do Amor de Deus – Meu Deus, Meu Deus porque me Abandonas-te. Se até Ele duvidou porque não podemos nós duvidar. Além disso Deus fez-nos livres para o fazer. Mas acreditem que mais cedo ou mais tarde conseguiram ter a certeza da sua existência… Ele tratará de nos mostrar a sua presença nas nossas vidas.
Tudo isto por que existem muitas pessoas que acreditam mas não sentem a vontade de o professar. Mas porquê?
Muito simples, Jesus morreu por nós, deu a Sua vida pela paz no mundo e o que acontece é o inverso; pessoas que professam: “Fiz-me tudo para todos…” quando estes são os primeiros a não compreenderem o significado desta poderosa frase do Aposto São Paulo. Pessoas que vivem de excessões e que fazem tudo para se glorificarem. Pessoas que usam padrinhos para atingirem a fama, ou nem olham aos meios para atingirem os fins. Vidas fúteis e acções ainda mais insensatas. Com isto, quem poderá acreditar em um Deus Forte e Poderoso que tudo faz para o nosso Bem!!! Se existe pessoas que quando evangelizam, evangelizam o que está escrito mas sem o mínimo sentimento no que estão a dizer ou fazer. O que fazer para melhorar esta questão? Muito simples, fazermos um exame de consciência e questionarmos se de facto fazemos tudo para SER TUDO PARA TODOS!!! Outra frase que recordo é a de Baden Powell (B.P.): Deixar o mundo um pouco melhor que o encontrei.
Que este lema seja o de todos: FAÇO-ME TUDO PARA TODOS, PARA DEIXAR O MUNDO UM POUCO MELHOR QUE O ENCONTREI. E sempre que fizermos alguma coisa tenhamos o cuidado de parar para pensar: Será que estou a ser como Saulo de Tarso, ou como São Paulo. Será que estou a perseguir, ou a ser perseguido.
Uma coisa é certa, até ao dia em que pessoas como sacerdotes, párocos, entre outros… não percebam que o que fazem é: perseguir como Saulo de Tarso; e não fazerem tudo para todos, como São Paulo. Até esse dia as pessoas terão dificuldades em terem fé e acreditarem no que se diz. É que se são eles a nossa Bandeira Estandarte da Evangelização são também eles os primeiros a pecar.
VALE A PENA ACREDITAR EM DEUS?!?!
Autor: Cláudio Almeida
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2009
“Jesus, após ter jejuado durante 40 dias e 40 noites, por fim, teve fome” (Mt 4, 2)
No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal).
Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.
Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O "não comas" e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98).
Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção.
O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.
No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4).
O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.
Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus.
O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).
Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus.
Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I).
A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).
A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: L 40, 708).
Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.
Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17).
Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente.
Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola.
Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.
De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos.
Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».
Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21).
A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo.
Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma.
Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.
BENEDICTUS PP. XV
Documentos | Bento XVI| 23/02/2009 | 18:01 | 9499 Caracteres | 1991 | Bento XVI
Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=68974&seccaoid=9&tipoid=217
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
GEN Verde - La coperta del mondo
Uma lição de vida!!!
Fraternidade e gratuidade são, no meu entender, dois dos valores mais urgentes para o nosso tempo. Por outras palavras – precisamos de conviver mais por amizade, e encontrarmo-nos menos por interesse.
Mais uma lição de vida, em que o CHC também colaborou. Paulo Azevedo é um jovem bem perto de nós, que nos pode dizer algo sobre os valores humanos.
Com amizade, Padre Pedro.

A 29 de Outubro de 1981 nascia sem aviso prévio e após uma gravidez de oito meses, Paulo Azevedo, um bebé diferente, sem mãos nem pernas, a quem os médicos não auguravam nada de bom. Natural da Redinha, uma pequena povoação do concelho de Pombal, ainda antes de fazer um ano de idade, Paulo e a mãe, na altura uma adolescente, mudaram-se para Alcoitão, onde ficou internado cerca de dois anos até começar a ser acompanhado em Coimbra. Por volta dos três anos de idade colocaram-lhe as primeiras próteses de pernas, sendo que nunca se adaptou às próteses de mãos. Antes de completar cinco anos de idade deu o seu primeiro passo sem qualquer apoio. No Natal de 1993 o avô materno ofereceu-lhe uma moto 4 amarela e a partir daí a Redinha e as redondezas deixaram de ter segredos para ele. Nessa altura Paulo Azevedo fazia já parte do Núcleo de Teatro do colégio que frequentava e começava secretamente a sonhar com uma carreira de actor. Depois de terminar o 12º ano ingressou no curso de jornalismo, na Universidade de Coimbra, que frequentou até ao terceiro ano, altura em que decidiu começar a trabalhar para poder financiar o curso de representação com que continuava a sonhar. Quase dois anos depois, num programa de televisão para o qual tinha sido convidado na sequência de uma reportagem da $portTV, falou publicamente do seu desejo de ser actor e o actor Tozé Martinho desafiou-o a fazer o curso de representação que leccionava, uma proposta que não hesitou em aceitar. Seguiu-se o convite para a reportagem "Uma Vida Normal", emitida pela SIC e que recentemente deu lugar a um livro com o mesmo título, e o convite de Nuno Santos e de Virgílio Castelo para integrar o elenco da telenovela "Podia Acabar o Mundo", actualmente em exibição na estação de Carnaxide, onde Paulo Azevedo interpreta o papel de Raimundo, um jovem advogado.

Aos 28 anos de idade Paulo Azevedo é um exemplo de força e de determinação.
DS – Depois da SlC ter emitido a reportagem “Uma Vida Normal” o que é que mudou na sua vida?
PA – A reportagem da Sofia Arêde mudou a minha vida radicalmente. Nessa altura, ao contrário do que aconteceu agora com o livro, não hesitei, porque sempre deixei bem claro que não queria passar uma imagem de “coitadinho”.
DS – Lembra-se da primeira vez que sonhou que queria ser actor?
PA – Na escola primária adorava participar nos “teatrinhos” que se faziam nas festas de Natal e de final do ano e quando entrei no liceu formámos um grupo de teatro. Aquilo que foi a partir daí que o “bichinho” foi crescendo. Sempre tive vontade de perseguir este sonho, mas nunca arrisquei, porque tinha medo de ser vitima de preconceito. Felizmente isso nunca aconteceu.
DS – Nem mesmo na escola?
PA – Sempre tive necessidade de pertencer ao grupo dos miúdos mais famosos da escola, porque pertencendo a esse grupo sabia que ninguém me excluía e que todos me protegiam. Aquilo que eu queria não era dar nas vistas, mas sim sentir-me integrado e protegido.
DS – Preocupa-o o que se seguirá à telenovela "Podia Acabar o Mundo" em exibição na SIC?
PA – Claro. Tenho medo que quando deixar de ser novidade deixe de ter trabalho. Ainda há pouco tempo partilhava isso com o Diogo Morgado e com o Pauto Rosa, o nosso realizador de exteriores. Dizia-lhes que tinha noção de que tinha de ter papéis especficos para mim e ambos ficaram surpreendidos. O Paulo Rosa disse-me que os papéis específicos só existem aos olhos do realizador ou do encenador. Nesta telenovela por exemplo, vou fazer uma cena em que tenho um acidente de mota e não tenho qualquer duplo. Vou fazê-la sózinho, porque sinto que a consigo fazer. Felizmente o Raimundo não é uma personagem gratuita em que a minha deficiência é explorada. Nesse aspecto a SIC tem-me protegido bastante, porque não está a esgotar a minha imagem. Sei que ainda não sou verdadeiramente actor, mas vou trabalhando para o ser.
DS – Se ser actor era um sonho de criança porque é que ingressou no jornalismo?
PA – Acima de tudo para fazer a vontade da minha familia, contudo, logo no final do primeiro ano percebi que não era aquilo que queria. Mesmo assim mantive-me no curso até ao terceiro ano, mas a determinada altura senti que tinha de tomar uma decisão. porque os anos estavam a passar e se queria arriscar tinha de ser o quanto antes. Por isso desisti do curso e fui trabalhar para tentar juntar o dinheiro necessário para vir para Lisboa fazer o curso de representação. Quando reuni as condições necessárias deixei tudo, vim para Lisboa e arrisquei mesmo sem nunca ninguém me ter dado esperanças de arranjar trabalho, mas o curso eu tinha de fazer, eu tinha de tentar.

DS — Tem essa força interior desde sempre?
PA — Acho que sim, no entanto também tenho dias menos bons, como toda a gente. Mas no essencial sou uma pessoa muito positiva desde que me apercebi de que era diferente dos outros meninos. A minha família sempre me disse que eu era diferente, mas que não era inferior. Além disso nunca me escondeu e isso foi fundamental para que eu não tivesse preconceitos. Reajo um bocado mal quando se referem a mim como um “coitadinho”, porque ser diferente não é sinónimo de ser inferior.
DS — Alguma vez se revoltou com a sua própria diferença?
PA — Não. Nunca. Sempre aceitei que se tinha nascido assim era assim que tinha de ir à luta. Acredito que um dia hei-de perceber porque é que nasci assim. Aliás, acho que essa explicação está a começar a surgir. Ouvi muitas vezes as pessoas comentarem que mais valia eu não ter nascido, essas pessoas, quando agora me vêem na televisão talvez tenham uma ideia diferente.
DS — Sente-se um exemplo?
PA — Não, embora últimamente sinta um pouco essa pressão. De certa forma o livro transmite todo o meu positivismo às pessoas e o feedback que tenho tido demonstra isso mesmo. Recebo diáriamente dezenas de emails no meu blog (http://pauloazevedo.portoeditora.pt) com declarações de pessoas que olham para mim como um exemplo, logo eu, que nunca quis ser um exemplo para ninguém e que em determinadas alturas da minha vida fui tudo menos uma pessoa exemplar.
DS — No livro confessa que por volta dos 12 ou 13 anos de idade pensou algumas vezes que talvez nunca nenhuma rapariga viesse a gostar de si. Esses pensamentos perturbavam-no?
PA — Não. Na adolescência, quando os namoricos e as atracções dos meus amigos começaram, pensei algumas vezes que o mais provável era que eu nunca fosse passar pelo mesmo, mas felizmente as coisas foram acontecendo naturalmente e, tal como qualquer outro rapaz da minha idade, fui-me envolvendo com algumas raparigas, até que conheci a Maria João. Nunca procurei o amor, se ele surgisse tudo bem, mas nunca o procurei, talvez para me defender.
DS — Considera-se um homem romântico? Como é que costuma celebrar o Dia dos Namorados?
PA — Nos últimos anos não tenho celebrado o Dia dos Namorados, porque considero que esse dia deve ser celebrado todos os dias do ano. Todos os dias devemos tentar supreender a pessoa amada. No fundo sou um romântico, mas não um romântico lamechas (risos). Gosto apenas de mimar a pessoa que amo.
DS — Qual foi a sua maior vitória pessoal?
PA — A minha maior vitória foi ter conseguido dar o primeiro passo em cima das próteses. Ninguém imagina as dores que as próteses me provocaram até me habituar a elas. Agora, o meu maior sonho é poder continuar a sonhar, ou seja, continuar a ter trabalho como actor e a ser independente e autónomo.
In Dica da Semana, 12 de Fevereio de 2009 - M. J. F.